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6.8.11

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se  adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

4.8.11

Eu quero um colo, um berço,
um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência e depois sem som,
um sonho calmo, um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas.

 "Adoro Fernando Pessoa. A maneira como ele parece brincar com as palavras... a musicalidade dos versos...perfeito."