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31.3.12

Pecados que me habitam

(...)
Quero pescoço macio
Quero tua ofegância no meu peito
Não quero respiração, quero arrepio
Quero você em mim, de qualquer jeito

Meu corpo se prepara pra ti
Teus dedos pintam flores
Minha calcinha sai daqui
Implorando por seus toques de esplendores

Faz primavera dentro de mim
Mas o que eu quero é verão
Num espasmo delicioso e sem fim
Tudo o que sinto é tesão

Respiração ofegante
Prazer que domina
Mordo os lábios, num movimento iniciante
Essa sensação me fascina

Sua língua passeia por mim
Faz um arco-íris no meu corpo
Meu órgão secreto vira jardim
Você. Beija flores.

Sou sua colorida
Imersa em beijo molhado
Do inferno sou absolvida
Oras, eu só queria um pecado

9.3.12

Doce prazer

Seus corpos mortos sobre o lençol branco denunciavam uma noite de muito álcool e poucas lembranças. Estavam ali, adormecidos e imersos na mesma cama. Eis que como num reflexo, dessas coisas que o corpo faz sem a consciência da mente, os corpos se aproximam um do outro e se encaixam lentamente. 
Os dedos dele começam a dedilhar pelas costelas dela, sendo favorecidos pela lei da gravidade. O polegar do moço circula o umbigo da moça, num convite a uma brincadeira quase infantil. Num misto de cócegas e de um tesão que se anuncia, ela resmunga algo que ele não entende, mas sabe que quer dizer “vá em frente”. Sua mão esquerda desce a barriga dela, pulando direto para a região interior da coxa e acariciando o elástico da sua calcinha.
 O corpo dela já o deseja presente em cada parte. Delicadamente, ele desliza a calcinha dela para o lado, e mostra a toda a humanidade o quanto é possível que dois corpos ocupem, sim, o mesmo espaço. Lá fora começa a amanhecer. O prazer deles é tanto que seca todo o álcool que se fazia existir em seus corpos, transformando cada gole de ressaca em goles de desejo. Lentamente movimentam-se de uma forma estranhamente sincronizada. A língua dele no pescoço dela, as fantasias dela no corpo dele. 
O sol se anuncia e não é lá fora. E de repente, antes que ele chegue ao êxtase, faz sol dentro dela. Uma luz a invade, dançando por todo o seu corpo, enrijecendo cada músculo de seu ser e fazendo-lhe não questionar mais nada no mundo. “Ah, como é bom ser só um corpo, como é bom, por um instante, ser apenas um buraco”, ela pensa sem pensar. 
E então, quase que num gesto de solidaridade, deixa escapar o gemido sexy do mundo, compartilhando a sua luz com ele.